Termas de Portugal

Termas de Portugal

Terapia em estado líquido

Há milhares de anos que os benefícios da água são conhecidos e, ainda que já antes fosse utilizada de forma terapêutica, foram os romanos os responsáveis pelo desenvolvimento do termalismo em Portugal. Não só promoveram o interesse pelos tratamentos termais, como construíram as primeiras estruturas balneares do nosso país, das quais ainda hoje há vestígios. Aceite o nosso convite e venha descobrir os benefícios das termas!

Com várias estâncias termais, Portugal é um destino escolhido por um número cada vez maior de curistas que vêm, não só de todo o país, como do resto da europa. A grande maioria dos balneários termais portugueses estão localizados nas regiões norte e centro do país e, invariavelmente, em locais de beleza ímpar. Importa ter em conta que as estruturas construídas, tiveram sempre como objetivo aproveitar os recursos naturais das regiões, por isso, não é de estranhar que todas elas estejam rodeadas de natureza em estado puro, já que houve sempre a preocupação de a preservar ao máximo.
Embora a abordagem terapêutica continue a ser o principal foco do termalismo, nos últimos anos tem sido feita a incorporação do conceito de lazer e bem-estar. Em resultado disso, a ideia de que os termalistas são sempre idosos ou pessoas doentes acabou por desvanecer e, são cada vez mais aqueles que procuram as termas para relaxarem no meio da natureza, serem mimados e experimentarem um estilo de vida saudável para o corpo e para a mente! Claro que esta evolução está também relacionada com o investimento que tem sido feito, não só ao nível das estâncias, mas também com a criação de unidades hoteleiras convidativas e pela oferta, cada vez mais vasta, de tratamentos e serviços para toda a família.

Para que servem as termas
Atualmente, as termas permitem muito mais do que tratar patologias. Contudo, os tratamentos termais destinam-se, essencialmente, a tratar doenças crónicas e complexas, com causas múltiplas e, por vezes, pouco definidas, que evoluem por ciclos de melhoria e agravamento. Neste contexto, as “curas” que são de curta duração, tal como os medicamentos e a medicina geral, não curam essas doenças. No entanto, aquilo que os tratamentos termais permitem, com sucesso e raríssimos efeitos secundários, é controlar os seus períodos de agravamento, as sequelas e ainda levam a uma redução da intensidade dos sintomas, permitindo que os doentes ganhem qualidade de vida. Está igualmente provado que a obesidade e o stresse, doenças que têm aumentado de forma dramática nos últimos 20 anos,  beneficiam muito das técnicas hidroterapêuticas e crenoterapêuticas, sobretudo se estas forem associadas a um estilo de vida saudável que passa pela adoção de uma alimentação cuidada, pela prática de exercício físico e por sessões de psicoterapia.

Exemplos de doenças crónicas que beneficiam (bastante) dos tratamentos em termas: 
 Doenças reumáticas e ortopédicas: Especialmente as que têm uma componente inflamatória, dolorosa e de rigidez articular e muscular, como é o caso da artrite reumatoide, a osteoartrose, as sinovites, a espondilite anquilosante, a condrocalcinose, a fibromialgia e as lesões traumáticas (desportivas ou acidentais)
– Doenças de pele: Psoríase, acne, dermite seborreica, úlceras varicosas, piodermites, eczemas crónicos e cicatrizes hipertróficas (queloides)
 Doenças do sistema nervoso: Sequelas de AVC e hipertonias
 Doenças vasculares: Hipertensão arterial, insuficiência venosa e linfática, hemorroidas e edemas
 Doenças respiratórias e ORL: Otites, rinites, sinusites, amigdalites, faringites, laringites, bronquites, asma e doença pulmonar obstrutiva crónica
 Doenças digestivas: Disfunção da vesicula biliar, síndrome do intestino irritável, colite ulcerosa, diverticulose e obstipação
 Doenças génito-urinárias: Cálculos renais e da bexiga, cistites, uretrite, congestão pélvica e atrofia pós-menopáusica
 Doenças endócrinas e do metabolismo: Diabetes e gota úrica

Água terapêutica
As estâncias termais não disponibilizam todas os mesmos tratamentos e há uma explicação simples para isso: dependendo da sua localização, as características, assim como a temperatura da água, diferem. E, atendendo a isso, também a sua finalidade é diferente.
Os efeitos químicos da água dependem das substâncias químicas nela dissolvidas, da capacidade que o organismo tem as substâncias – e isso é feito através da pele, das mucosas das vias respiratórias, do tubo digestivo ou do aparelho génito-urinário -, dos efeitos biológicos das mesmas (localizados à pele e mucosas ou à distância, sobre outros tecidos ou órgãos, como os ossos, as cartilagens, o fígado, os rins, a medula óssea) e da sua velocidade de eliminação. Claro que é possível adicionar minerais à água destilada mas, se encontramos na natureza essa água, por que razão iríamos produzir algo com essas características? O que faz sentido é aproveitar o que a natureza dá, com conta, peso e medida. Isto porque, apesar de todos os benefícios da água termal, quando usada indevidamente, também poderá trazer consequências. Daí que seja tão importante que estes tratamentos sejam prescritos por médicos e, naturalmente, comparticipados pelo SNS. A água propriamente dita, enquanto elemento da natureza, com a sua conhecida fórmula química H2O, é a substância mais abundante do corpo humano (80% do peso das crianças e 50% do peso dos idosos são de água) e da maioria dos organismos vivos conhecidos, cumprindo fundamentalmente funções bioquímicas (diluição e transporte de outras substâncias, participação no metabolismo, etc) e físicas (regulação térmica, preenchimento do espaço vascular, manutenção da forma das células, amortecimento de energia cinética, entre outras).
Quando se pensa na água de termalismo, pensa-se muito para além da sua função primária de hidratação: pensa-se em hidroterapia e em crenoterapia, isto é, em utilizar, de forma precisa e rigorosa, alguns destes efeitos físicos, químicos e biológicos (e mesmo psicológicos) da água para tratar e/ou prevenir determinadas doenças, para reabilitação e para manutenção da saúde e ainda como “serviços de bem-estar termal”, ligados à estética, beleza e relaxamento.
Os efeitos físicos da água podem dividir-se em mecânicos e térmicos e incluem os efeitos “diretos” da água nas suas formas sólida, líquida ou gasosa, com maior ou menor temperatura, em repouso ou com energia cinética adicionada (sob a forma de jatos subaquáticos ou duches), em imersão ou não, durante períodos de tempo mais ou menos longos.

Cuidados a ter
Como tudo o que tem indicações, o termalismo também tem contraindicações. Atendendo a isso, pessoas muito debilitadas, doentes oncológicos, quem sofre de doenças infeciosas, insuficientes renais e doentes cardíacos descompensados, não devem fazer tratamentos termais.
Por outro lado, é importante ter em conta que a “cura de águas” exige uma adaptação do organismo aos agentes terapêuticos e, mesmo feita nas melhores termas e orientada pelos melhores especialistas em Hidrologia, pode provocar reações adversas (as “crises termais”) e obrigar à suspensão temporária, à diminuição da intensidade do tratamento ou mesmo à sua paragem definitiva. Estas crises termais surgem, normalmente, no final da primeira semana de tratamento, são quase sempre ligeiras e transitórias, e resultam da libertação de histamina, acetilcolina e péptidos ativos pelos tecidos, o que pode provocar mal-estar, febre, falta de força, insónias, dores de cabeça, diarreia ou vómitos. Quando a crise se resolve, segue-se um “estado de resistência” e o período de bem-estar da cura termal, que se pode prolongar por semanas ou mesmo meses.
É por estes motivos que os tratamentos termais devem ser feitos em locais específicos, sob a supervisão de um diretor técnico de exploração, que garante a qualidade das águas, e sob a direção clínica de um médico com a competência de Hidrologia Médica, que coordena os médicos hidrologistas e o pessoal paramédico (operadores de balneoterapia, fisioterapeutas, massagistas) e auxiliar que põe em prática os complexos e rigorosos esquemas terapêuticos prescritos.

Temperaturas e aplicações da água termal
– A água quente, que a pele tolera geralmente até aos 42ºC na forma líquida, e até aos 44ºC na forma de vapor de água, estimula os recetores do calor, desencadeando uma resposta vasodilatadora local, um aumento da produção de suor e de sebo pelas glândulas sudoríparas e sebáceas, uma ação relaxante muscular e alguns efeitos “à distância”, como modificações do ritmo cardíaco e respiratório e da tensão arterial, que tem tendência para descer.
– A água fria, geralmente abaixo dos 25ºC, estimula os recetores do frio, originando uma resposta vasoconstritora local, , um efeito de contração dos músculos e igualmente modificações do ritmo cardíaco e respiratório e da tensão arterial que, neste caso, tem tendência para subir.
– A utilização da água com temperaturas alternadas (quente-frio e frio-quente), é recorrente e aproveita as reações do organismo às diferentes temperaturas. É por isso que é uma fórmula utilizada em técnicas revigorantes, nomeadamente, duches escoceses, banhos de contraste ou alternos, e manipediduches com águas frias e quentes que, por desencadearem respostas cardiovasculares intensas, só se podem fazer quando o estado de saúde do curista o permita. O vapor de água, que se pode utilizar nos banhos turcos (associados ou não a massagem e esfoliação cutânea), no Bertholaix (pulverização de vapor termal entre os 36ºC e 42ºC nos ombros, ancas e coluna vertebral), por via inalatória (vias aéreas superiores e inferiores).

Sabia que…

… os tratamentos termais voltaram a ser comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde? Em 2011, em resultado das imposições da Troika, estes tratamentos deixaram de ser comparticipados, originando uma redução de mais de 33% do número de utentes, entre 2011 e 2015.

 Lista de Estâncias Termais em Portugal
– Termas de Alcafache Spa Termal
– Termas de Almeida Fonte Santa
– Termas das Caldas de Aregos
– Termas de Cabeço de Vide
– Termas das Caldas da Rainha
– Termas de Caldelas
– Termas do Carvalhal
– Termas de Chaves
– Termas do Cró
– Termas da Curia
– Termas de Entre-os-Rios
– Termas do Estoril
– Caldas da Felgueira
– Termas do Gerês
– Termas da Ladeira de Envendos
– Termas da Longroiva
– Termas do Luso
– Termas de Manteigas
– Termas de Melgaço
– Termas de Monchique
– Termas de Monfortinho
– Termas de Monte Real
– Termas de Nisa
– Termas de Pedras Salgadas
– Termas de S. Jorge
– Termas de Sangemil
– Caldas Santas de Carvalhelhos
– Termas de S. Pedro do Sul
– Termas de S. Vicente
– Caldas da Saúde
– Caldas das Taipas
– Termas de Unhais da Serra
– Termas do Vale da Mó
– Termas de Vidago
– Termas do Vimeiro

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