Superalimentos

Superalimentos

Diretamente da Natureza para a Mesa

Na data em que se celebra o Dia Europeu da Alimentação e da Cozinha Saudáveis, não podíamos deixar de publicar um dos textos que mais sucesso fez na nossa edição impressa. Com a colaboração das nutricionistas Ana Rita Lopes e Débora Mingates, dizemos-lhe tudo o que precisa de saber sobre superalimentos!

Originários da Ásia, de África e da América do Sul, os superalimentos estão longe de ser uma novidade. Na realidade, há milhares de anos que fazem parte da alimentação dos habitantes das regiões que os viram nascer. Os seus benefícios, embora não estivessem guardados a sete chaves, permaneciam desconhecidos do Ocidente e só nos últimos anos começaram a ser falados, importados e, em alguns casos, produzidos por cá.
Hoje não há quem não faça batidos, panquecas e até refeições destes alimentos que têm nomes fora do normal, cores apelativas e sabores que primeiro se estranham e depois se entranham. Pedimos ajuda às nutricionistas Ana Rita Lopes e Débora Mingates, e fizemos uma lista dos superalimentos mais nutritivos de todos e das suas propriedades. Agora partilhamos consigo.

O que são superalimentos?
É verdade que todos os dias ouvimos falar em superalimentos, mas será que sabemos exatamente o que são, como podem contribuir para a nossa saúde e como podemos potenciá-los? De acordo com Débora Mingates, nutricionista da Iswari, “os superalimentos são assim designados por possuírem, para um dado valor energético, elevadas concentrações de nutrientes essenciais, entre eles vitaminas, minerais, enzimas e/ou fitoquímicos antioxidantes. Atualmente, o conceito está banalizado, mas a verdade é que existem benefícios associados à ingestão regular de certos alimentos. Ainda assim, é muito importante ter em conta que apesar dos incontestáveis benefícios, estes alimentos não devem ser consumidos como substitutos de refeições. Devem, isso sim, ser acrescentados a uma dieta nutricionalmente equilibrada”.
Claro que para muitos, os superalimentos são, acima de tudo, uma bela estratégia de marketing, mas Ana Rita Lopes, coordenadora da Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa, tem outra opinião: “Estes alimentos existem há muitos anos, em diferentes culturas. Não são uma coisa recente. Porém, com o aumento das exigências dos consumidores, a indústria atual viu-se obrigada a ampliar as suas ofertas mais saudáveis de modo a responder eficazmente a esta crescente preocupação com a alimentação”.
Embora sejam originários da Ásia, da América do Sul e do Norte de África, principalmente, devido às condições climáticas e pela fertilidade dos solos, muitos destes alimentos começam agora a ser pro- duzidos localmente ou em zonas mais próximas.
Isto permite controlar a sua origem, a qualidade e, claro, a inexistência de químicos. Por outro lado, tal como salienta a nutricionista da Iswari “o boom recente na industrialização destes produtos, tornou-os muito mais acessíveis. Além disso, têm sido desenvolvidos estudos que comprovam a sua eficácia e garantem confiança quanto ao seu consumo regular”.



Como consumir
Não existe uma fórmula certa para ingerir os superalimentos. Naturalmente, vai depender das necessidades nutricionais e, como é óbvio, do gosto de cada um. Porque é verdade que estes alimentos estão carregados de vitaminas e de outros nutrientes, mas o sabor de alguns precisa de habituação ou, pelo menos, de ser misturado com outros alimentos! Por isso, dependendo dos seus hábitos e gostos, “consuma em smoothies, batidos, sumos, misturados com água, com sumo de maçã, em saladas, sopas, barrinhas energéticas, bolos ou panquecas. Basta usar a imaginação!”, diz Débora Mingates.
Dificilmente encontrará um superalimento na sua forma natural. Geralmente, encontra-os desidratados ou secos. Mas também os há congelados. “O açaí, por exemplo, pode ser encontrado em forma de polpa ultracongelada ou seco, e a partir daí adicionado a batidos, sumos, sobremesas, cereais, bebidas vegetais ou simplesmente misturado em água”, diz Ana Rita Lopes.
Se quiser, poderá consumir estes alimentos isoladamente ou associados, já que nenhum vai interferir com os benefícios do outro. Aliás, quanto muito estará a potenciar a sua ação. Quem o diz é Débora Mingates e dá um exemplo: “A clorela e a spirulina, quando consumidas em conjunto, potenciam o efeito no organismo. Isto acontece porque ambas são utilizadas em regimes de desintoxicação e, quando são ingeridas em conjunto, promovem efeitos mais rápidos”.
Quanto à preparação, lembre-se que, tal como acontece com outro tipo de alimentos, também estes poderão perder algumas das suas propriedades quando cozinhados. “Por isso, aconselho, sempre que possível, o seu consumo em cru e consumido imediatamente após a sua mistura para não haver perda de nutrientes por oxidação”, diz a coordenadora da Unidade de Nutrição do Hospital Lusíadas Lisboa.

Cuidados a ter
Os superalimentos são uma infindável fonte de benefícios para o nosso organismo, mas temos de estar atentos e ter alguns cuidados. De acordo com Débora Mingates, “grávidas, idosos, crianças, hipertensos, diabéticos e detentores de patologias crónicas, devem ter cuidados acrescidos antes de iniciarem o consumo destes alimentos”. A nutricionista da Iswari aconselha a consultar um profissional de saúde e explica porquê: “Só assim podemos garantir que aquela pessoa que faz parte do “grupo de risco”, pode ingerir determinados alimentos sem qualquer problema. Assim, o médico fornece conselhos de forma a retirar o máximo proveito dos benefícios destes superalimentos, sem nunca comprometer o estado de saúde em que se encontra”.
Outro aspeto a ter em consideração, mesmo por pessoas sem quaisquer contra-indicações para o consumo destes alimentos, é a dosagem diária recomendada. “Para o açaí, a dosagem diária recomendada é de 1 a 4 gramas, ou seja, entre uma colher e meia a duas colheres de chá, por dia. Já as bagas de goji podemos ingerir entre 10 e 15 unidades, cinco a seis vezes por semana”, recomenda a nutricionista Ana Rita Lopes.

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