Sofre de stresse pós-férias?

Sofre de stresse pós-férias?

Muitas pessoas ficam apavoradas só com a ideia de regressarem ao emprego depois das férias. Se esse é o seu caso, este texto é para si!

Psicóloga Clínica Clínica Campo Grande - Hospital St. Louis

Para muitos especialistas, a causa do stresse pós-férias está no trabalho em si, que nem sempre oferece a satisfação e a realização necessárias. Isto, em certa medida, deve-se à instabilidade do mercado de trabalho, que leva as pessoas a estarem, muitas vezes, a exercer profissões que pouco ou nada têm a ver com a sua formação. Para fundamentar esta ideia faço referência a uma pesquisa que a International Stress Management Association fez. O estudo realizado envolveu profissionais que ocupam cargos superiores e confirmou que muitos abdicam das férias por falta de vontade ou até por medo. Aliás, os resultados quantitativos deste estudo são bastante claros e dão que pensar. Perante o estudo, 38% dos
profissionais inquiridos referiram que preferem não ir de férias e os motivos que referiram para isso foram os seguintes:

– 46% dos inquiridos disseram ter medo que tomadas decisões importantes na sua ausência
– 32% disseram recear estar fora no momento da reestruturação de cargos
– 19 % têm medo de ser demitidos
– 3% temem que ninguém note a sua ausência

Os autores dizem também que o estudo permitiu verificar que muitos dos que se permitem gozar um período de férias, acabam por não conseguir relaxar e transformam o lazer em obrigação, com horários a cumprir, ficando com a sensação de insatisfação permanente. Assim, e de acordo com os resultados desta pesquisa internacional, quando ouvimos falar de
depressão pós-férias ou stresse pós-férias, não é “fita” nem nenhuma invenção, de quem regressa ao trabalho depois de férias.

O difícil regresso ao trabalho
Após as tão desejadas e merecidas férias, é frequente algumas pessoas sentirem dificuldade em recuperar o ritmo de trabalho. Falamos em stresse pós-férias como uma síndrome que se caracteriza por sintomas como irritabilidade, cansaço, tristeza, mau humor, alteração dos padrões de sono e de apetite, falta de interesse, dores de cabeça e/ou musculares, falta de concentração e ansiedade.
Todos os profissionais conhecem bem a sensação de voltar a casa e ao trabalho depois de umas belas férias. Contudo, para alguns, os efeitos nefastos do regresso à rotina podem ser mais “pesados” do que para outros. O que se verifica é a existência de uma reação adaptativa, por vezes difícil, ao trabalho, marcado por um registo de dever, depois de um período de lazer e sem obrigações. É fundamental analisarmos cuidadosamente cada caso, pois cada um tem características específicas e individuais. Para alguns será apenas uma fase de “ressaca” passageira, mas a depressão ou o stresse pós-férias manifestam-se quando os sintomas se prolongam.

O temido setembro
Muitas famílias regressam de férias no mês de setembro. Neste período, para além do regresso à rotina do trabalho, muitas famílias deparam-se ainda com a necessidade de articular os seus horários com os horários escolares dos filhos. Por outro lado, setembro é um mês de aperto financeiro. Os excessos das férias pagam-se agora e o início do ano escolar, para quem tem filhos, absorve o que resta. Por estas razões, o regresso ao trabalho depois das férias pode ser extremamente  deprimente e cansativo porque, na realidade, as férias não serviram para descansar. Acumulam-se os pensamentos negativos e a perspetiva de ter um ano inteiro pela frente até novo período de descanso não é de todo animadora.
Assim, o regresso ao trabalho, com a consequente passagem da tranquilidade para a agitação diária, poderá gerar alguma ansiedade. O nível de ansiedade sentido depende da forma como o trabalho é percecionado. É importante ter em conta os seguintes aspetos:
– O grau de descontentamento que tem relativamente ao emprego
– O grau de incerteza como, por exemplo, a instabilidade profissional de quem trabalha a recibos verdes, os professores do ensino público e todos aqueles que todos os dias veem os seus direitos laborais negados
– O nível de exigência que sente existir no seu trabalho e, ainda, o relacionamento que mantém com os restantes colegas.
É normal existir alguma ansiedade até que a rotina da vida familiar seja restabelecida. No entanto, o regresso ao trabalho não tem de ser uma fonte de emoções negativas. Existem várias estratégias que nos poderão ajudar a readaptar ao ritmo de trabalho e a sentirmo-nos entusiasmados com o regresso.

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