Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, em muitos casos, as doenças cardiovasculares não só podem ser evitadas com a mudança de comportamentos, como nos dão sinais antes de se manifestarem.
O nosso coração é perfeito, sabia? É uma máquina cardiovascular que funciona continuamente, em circuito fechado, e permite a circulação do sangue, sempre no mesmo sentido, transportando o sangue oxigenado ou arterial para todo o corpo. Por fim, as veias transportam o sangue venoso, já com pouco oxigénio, de volta ao coração.
O problema é que apesar de toda esta perfeição, o seu funcionamento pode ser influenciado por vários fatores – pelos hábitos alimentares, pela genética, pelo estilo de vida que temos, entre outros – e falhar. Mas antes de falhar, ele dá sinais. A verdade é que a maioria das doenças cardiovasculares têm sintomas nós é que, mesmo quando temos histórico familiar e comportamentos de risco (a tal questão da má alimentação, o vício do tabaco e a tendência para o sedentarismo, só para citar alguns), não estamos atentos.

Esteja atento para agir a tempo
Ainda que possam não ser evitadas, no que diz respeito às doenças cardiovasculares, quanto mais cedo agirmos, maiores são as probabilidades de sobrevivência e menores são as sequelas.
Ataque cardíaco
Esta doença do coração tem alguns sintomas característicos. O desconforto no peito é a primeira manifestação. Esta sensação pode durar alguns minutos ou ser menos constante. Também pode manifestar-se com pressão, dor ou aperto no peito. Além disso, é normal haver desconforto nos braços, no pescoço ou no estômago. A juntar a estes sintomas, temos outros aos quais devemos estar especialmente atentos, como a falta de fôlego, náuseas, vómitos e suores frios, sem que haja razão para isso. Tenha em conta que apesar de os ataques cardíacos serem habitualmente intensos, na maioria dos casos começam com uma leve sensação de desconforto no peito.
Acidente Vacular Cerebral (AVC)
Entorpecimento, formigueiro ou fraqueza na cara, no braço ou na perna são os sintomas mais comuns. Se a eles ainda se juntar uma sensação de confusão e dificuldade em falar e compreender, dificuldade em ver, em andar, equilibrar-se ou coordenar movimentos, não perca tempo e chame de imediato uma ambulância alertand para os sinais que se manifestaram. Lembre-se que se for administrada medicação adequada antes de 3 horas após os primeiros sintomas, é possível reduzir grande parte das lesões que advêm do AVC.

Cuidados a ter depois de um ataque cardíaco ou de um AVC
“Depois de um evento cardiovascular, o risco de uma nova situação está muito aumentado, pelo que o controlo de fatores de risco deve ser ainda mais rigoroso”, alerta Miguel Borges Santos, cardiologista da Clínica Europa.
É verdade que a prevenção é o melhor de todos os tratamentos mas, quando ela falha, o melhor mesmo é seguir as recomendações médicas. Nesse sentido, a ciência tem evoluído muito e hoje existem medicamentos que têm uma elevada taxa de sucesso e diminuem fortemente a mortalidade. Pedro Bico, cardiologista da Clínica Europa destaca “os IECAS, os beta bloqueantes, os novos anticoagulantes orais e os medicamentos que controlam o colesterol”, mas também os métodos minimamente invasivos, “como o cateterismo cardíaco, que permite o tratamento cómodo e praticamente indolor das obstruções das artérias, da doença de algumas válvulas cardíacas e no tratamento de arritmias através de uma ou duas pequenas punções na região inguinal ou num membro superior”. O cardiologista Miguel Borges Santos chama também a atenção para a possibilidade de tratamento que surgiu para tratar o enfarte e que passa por “injetar células da medula óssea no coração lesado com o objetivo de o regenerar”.
Por outro lado, da mesma forma que o estilo de vida desempenha um papel importantíssimo para evitar doenças do coração, ele volta a revelar-se fundamental nesta fase. Atendendo a isso, Miguel Borges Santos deixa algumas recomendações: “se é fumador e sofreu um AVC nem sequer é preciso dizer que não deve voltar a fumar, não é? Em termos alimentares, o sal deve ser totalmente eliminado da dieta e assim que tiver alta deve confirmar com o médico o tipo de exercício físico que poderá fazer. E faça mesmo! O ideal é iniciar um programa específico de reabilitação, com técnicos especializados e com supervisão médica. Infelizmente, esta possibilidade não está generalizada em Portugal, mas estão a ser feitos esforços nesse sentido. Quanto à medicação, se o médico referiu que é «para toda a vida», não a suspenda porque não tem receita. Se essa situação ocorrer, fale com o seu farmacêutico para contactar diretamente o seu médico e ajudar a resolver a situação”.

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