Os diferentes tipos de cancros de pele

Os diferentes tipos de cancros de pele

Habitualmente, ouvimos falar de cancro de pele e, não só julgamos que existe apenas um tipo como acreditamos que a sua origem é sempre a mesma. Mas não é bem assim e eu vou explicar-lhe porquê e ainda lhe vou dizer quais são os tratamentos disponíveis.

Dermatologista Diretor Clínico da Clínica Derme.pt

Existe alguma confusão em relação ao termo “cancro de pele” por englobar várias entidades que constituem a forma mais frequente de cancro no homem. Só nos EUA, estima-se que uma em cada cinco pessoas venha a desenvolver um cancro cutâneo ao longo da sua vida.

Em primeiro lugar é importante saber que os cancros cutâneos, por questões de origem e de comportamento clínico, são divididos em dois grandes grupos: os cancros “não-melanoma” e os cancros “melanoma”.

Enquanto o grupo dos “não-melanoma” inclui as duas formas mais frequentes e menos agressivas, que são o carcinoma baso-celular (CBC) e o carcinoma espino-celular (CEC), o segundo grupo, do melanoma maligno (MM), embora seja menos frequente, representa a maioria dos casos de morte associados ao cancro cutâneo.

O carcinoma baso-celular
O CBC tem, regra geral, uma evolução bastante lenta – pode ser de meses ou anos -, e não tem capacidade de metastização, ou seja, de se expandir para outros órgãos à distância. Por outro lado, pode assumir vários aspetos clínicos onde habitualmente são visíveis pequenos vasos dilatados (telangiectasias) e o bordo assume aspeto de pequenas esferas, habitualmente chamado de “perolado”.

O carcinoma espino-celular
O CEC já é um tumor de evolução habitualmente mais rápida, tem um aspeto crostoso e forma úlcera com maior frequência. A juntar a isso, tem capacidade de metastização, quer pelo sistema linfático, quer por via sanguínea, habitualmente em formas mais agressivas e tardias. É, quase exclusivamente, responsável pelas poucas mortes neste grupo de cancros “não-melanoma”, quando detetado tardiamente e, sobretudo, em mucosas, isto é, na boca e na região genital. Este grupo engloba ainda outras entidades como as queratoses actínicas (lesões ditas pré-cancerígenas”) e representam uma incidência nacional anual de cerca de 200.00 novos casos.

O verdadeiro cancro de pele – o melanoma maligno
Aquele que é referido, de uma forma genérica na literatura corrente, como o “cancro de pele” é o melanoma maligno que tem origem na proliferação anormal e desordenada das células pigmentares (melanócitos) e que, por isso, é frequentemente escuro. Segundo as estatísticas mais recentes, tem uma incidência de cerca de 10 casos por 100.000 habitantes cada ano. Isto representa cerca de 1000 novos casos/ano só em Portugal, sendo que se for detetado precocemente e excisado com larga margem, a taxa de mortalidade é muito baixa (inferior a 5% aos 5 anos).

Já nos casos tardios e de maior espessura, a taxa de mortalidade é bastante elevada (mais de 85% aos 5 anos). Na sua globalidade, a taxa de sobrevida aos 5 anos ronda os 15%. Em particular neste último é importantíssima a auto-observação dos pacientes às suas lesões pigmentadas não esquecendo o acrónimo ABCDE: Assimetria, Bordo Irregular, Cor Escura ou variegada, Diâmetro Superior a 8 mm e Evolução recente.

Os “sinais” adquiridos durante a vida não têm maior risco acrescido de transformação em melanoma maligno, ao contrário dos congénitos, aqueles que estão presentes à nascença ou que aparecem durante o 1º ano de vida. Enquanto os cancros “não-melanoma” estão diretamente associados à taxa cumulativa de exposição solar ao longo da vida, o melanoma maligno parece estar mais ligado a uma predisposição genética e a exposições agudas e excessivas ao sol, com história de golpes de sol na infância e/ou juventude.

Como tratar
O tratamento do cancro cutâneo passa sempre pela sua eliminação. Habitualmente faz-se a excisão cirúrgica e posterior confirmação por anatomo-patologia, quer do tipo histológico, quer das margens de segurança para cada um dos tipos de cancro em causa.

Em casos limitados e clinicamente muito esclarecedores, mas também por limitações clínicas do paciente, poderá ser realizada a destruição destas lesões (apenas CBC), através de crioterapia (azoto líquido), electrocoagulação e curetagem ou vaporização por laser de CO2. Importa ter em conta que, apesar deste tipo de cancro ter uma incidência bastante elevada, nomeadamente no nosso país, o seu tratamento tem uma taxa de sucesso bastante elevada, especialmente se for detetado numa fase inicial.

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