Habitualmente, ouvimos falar de cancro de pele e, não só julgamos que existe apenas um tipo como acreditamos que a sua origem é sempre a mesma. Mas não é bem assim e eu vou explicar-lhe porquê e ainda lhe vou dizer quais são os tratamentos disponíveis.
Existe alguma confusão em relação ao termo “cancro de pele” por englobar várias entidades que constituem a forma mais frequente de cancro no homem. Só nos EUA, estima-se que uma em cada cinco pessoas venha a desenvolver um cancro cutâneo ao longo da sua vida.
Em primeiro lugar é importante saber que os cancros cutâneos, por questões de origem e de comportamento clínico, são divididos em dois grandes grupos: os cancros “não-melanoma” e os cancros “melanoma”.
Enquanto o grupo dos “não-melanoma” inclui as duas formas mais frequentes e menos agressivas, que são o carcinoma baso-celular (CBC) e o carcinoma espino-celular (CEC), o segundo grupo, do melanoma maligno (MM), embora seja menos frequente, representa a maioria dos casos de morte associados ao cancro cutâneo.
O carcinoma baso-celular
O CBC tem, regra geral, uma evolução bastante lenta – pode ser de meses ou anos -, e não tem capacidade de metastização, ou seja, de se expandir para outros órgãos à distância. Por outro lado, pode assumir vários aspetos clínicos onde habitualmente são visíveis pequenos vasos dilatados (telangiectasias) e o bordo assume aspeto de pequenas esferas, habitualmente chamado de “perolado”.
O carcinoma espino-celular
O CEC já é um tumor de evolução habitualmente mais rápida, tem um aspeto crostoso e forma úlcera com maior frequência. A juntar a isso, tem capacidade de metastização, quer pelo sistema linfático, quer por via sanguínea, habitualmente em formas mais agressivas e tardias. É, quase exclusivamente, responsável pelas poucas mortes neste grupo de cancros “não-melanoma”, quando detetado tardiamente e, sobretudo, em mucosas, isto é, na boca e na região genital. Este grupo engloba ainda outras entidades como as queratoses actínicas (lesões ditas pré-cancerígenas”) e representam uma incidência nacional anual de cerca de 200.00 novos casos.

O verdadeiro cancro de pele – o melanoma maligno
Aquele que é referido, de uma forma genérica na literatura corrente, como o “cancro de pele” é o melanoma maligno que tem origem na proliferação anormal e desordenada das células pigmentares (melanócitos) e que, por isso, é frequentemente escuro. Segundo as estatísticas mais recentes, tem uma incidência de cerca de 10 casos por 100.000 habitantes cada ano. Isto representa cerca de 1000 novos casos/ano só em Portugal, sendo que se for detetado precocemente e excisado com larga margem, a taxa de mortalidade é muito baixa (inferior a 5% aos 5 anos).
Já nos casos tardios e de maior espessura, a taxa de mortalidade é bastante elevada (mais de 85% aos 5 anos). Na sua globalidade, a taxa de sobrevida aos 5 anos ronda os 15%. Em particular neste último é importantíssima a auto-observação dos pacientes às suas lesões pigmentadas não esquecendo o acrónimo ABCDE: Assimetria, Bordo Irregular, Cor Escura ou variegada, Diâmetro Superior a 8 mm e Evolução recente.
Os “sinais” adquiridos durante a vida não têm maior risco acrescido de transformação em melanoma maligno, ao contrário dos congénitos, aqueles que estão presentes à nascença ou que aparecem durante o 1º ano de vida. Enquanto os cancros “não-melanoma” estão diretamente associados à taxa cumulativa de exposição solar ao longo da vida, o melanoma maligno parece estar mais ligado a uma predisposição genética e a exposições agudas e excessivas ao sol, com história de golpes de sol na infância e/ou juventude.
Como tratar
O tratamento do cancro cutâneo passa sempre pela sua eliminação. Habitualmente faz-se a excisão cirúrgica e posterior confirmação por anatomo-patologia, quer do tipo histológico, quer das margens de segurança para cada um dos tipos de cancro em causa.
Em casos limitados e clinicamente muito esclarecedores, mas também por limitações clínicas do paciente, poderá ser realizada a destruição destas lesões (apenas CBC), através de crioterapia (azoto líquido), electrocoagulação e curetagem ou vaporização por laser de CO2. Importa ter em conta que, apesar deste tipo de cancro ter uma incidência bastante elevada, nomeadamente no nosso país, o seu tratamento tem uma taxa de sucesso bastante elevada, especialmente se for detetado numa fase inicial.


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