É uma dog ou uma cat person?

É uma dog ou uma cat person?

São muitas as pessoas que dizem gostar tanto de gatos, como de cães (e, felizmente, de todos os outros animais que habitam a Terra connosco) mas, a verdade é que quando avaliamos bem, cada um de nós tem uma preferência. Qual é a sua?

Ter animais é fantástico e não há quem nos faça mudar de ideias. Os estudos estão aí a confirmá-lo e na falta deles, a felicidade que sentimos na presença da maioria dos animais é prova mais do que suficiente. Contudo, há questões incontornáveis. “Devemos avaliar o tempo que temos disponível, o espaço que temos para ele, saber se todos os membros da família estão de acordo em adotar e perceber se temos condições financeiras para suportar os cuidados necessários”, começa por dizer a veterinária Leonor Quítalo.

Mas, existem outros aspetos que não devem ser ignorados, especialmente quando está tomada a decisão de adotar um animal de estimação. Para Leonor Quítalo, “é importantíssimo escolher o animal certo para a nossa personalidade e para as nossas possibilidades. Ou seja, antes de escolher um cão ou um gato, é fundamental ter noção das características, mas também das necessidades de cada um deles. Muitas vezes a escolha não é adequada e aí começam os problemas, tanto para os animais, como para os tutores”.

Os requisitos de uma verdadeira dog person
No caso dos cães, está provado que lidam menos bem com a ausência dos tutores do que os gatos. Quem opta por um cão, deve ter em conta o número de horas que passa fora, o espaço que o animal de estimação terá durante a ausência e a disponibilidade para fazer três ou quatro passeios diários. A veterinária alerta ainda para outros fatores. “Para além de afeto, educação, exercício físico, alimentação e cuidados médicos, quem opta por ter um cão tem de ser capaz de garantir outras necessidades. Os cães são muito dependentes dos tutores. Por isso, mesmo que estejam numa zona exterior da casa, vão precisar sempre de interagir e de contacto diário em exclusividade. Por sua vez, os cães que vivem num apartamento não devem passar um dia inteiro num ambiente estático, onde não existe nada para fazer. Se não os podemos levar connosco, temos de os deixar ocupados durante a nossa ausência, entre brinquedos interessantes, sons ou com companhia”. Devido às suas manifestações mais efusivas, os cães são considerados mais dedicados do que os gatos, mas nós não vamos nessa conversa. Quanto a ser mais fácil ensiná-los a adotar determinados comportamentos, concordamos plenamente. Acreditamos que seguindo o método do treino positivo – o único que, na nosa opinião, deve ser aplicado – é fácil ensinar uns quantos truques aos nossos canídeos. Já os gatos…

Os gatos e o seu staff
Há quem diga que os gatos nunca se afeiçoam verdadeiramente ao tutor, que são egoístas e traiçoeiros. Quem afirma tal coisa nunca teve um gato na sua vida, caso contrário, seria incapaz de proferir estas blasfémias. É verdade que só vêm ao nosso chamamento quando lhes apetece e que, por vezes, sentimos que são eles que mandam lá em casa, mas tudo isso tem a ver com a importância que já tiveram em várias civilização mas, acima de tudo, pela proximidades genética que têm com os seus parentes mais próximos: os tigres! Sabia que, de acordo com um estudo publicado na revista Nature Communications, o tigre e o gato doméstico partilham 95,6% da sua genética?  Mas vamos lá ver, por terem um WC com areia que lhes permite fazer as necessidades fisiológicas, acabam por nos “libertar” mais dessa responsabilidade. Além disso, não têm de dar vários passeios diários o que para aquelas pessoas que preferem estar em casa, não podia ser melhor. Quanto ao resto, são exatamente iguais aos cães: adoram mimos, brincar, comer e a companhia dos tutores. Palavra de gateira!

Vamos adotar?
Claro que podemos ter um gosto especial por determinada raça mas, a verdade é que com tantos animais abandonados, instituições e canis municipais a “rebentar pelas costuras”, pensar em comprar um animal somente pelo fator raça parece demasiado fútil. Além disso, nunca é demais recordar que, apesar da lei aprovada em 2016 que proibe o abate nos canis municipais, a Direção-Geral de Veterinária e os municípios têm até 22 de setembro de 2018 para criar condições para a lei entrar, de facto, em vigor. Ou seja, existem vários canis municipais que continuam a abater animais em perfeitas condições de saúde porque, por exemplo, têm falta de espaço.

Para Leonor Quítalo, ainda que seja importante que continuem a existir raças e criadores credenciados – esta última, uma norma que será conseguida com a lei recentemente proposta pelo PAN e aprovada em Assembleia da República -, contudo, alerta para a necessidade de todos contribuirmos ativamente para ajudar a reduzir o número de animais abandonados. “Como em Portugal ainda não está enraizada a mentalidade de esterilização, há cada vez mais animais a viverem na rua, em abrigos de associações ou em canis. Tal como os municípios têm a obrigação de promover campanhas de esterilização e de adoção, é fundamental que se opte pela adoção em detrimento da compra de animais. Essa é a única forma de evitar a sobrelotação dos canis de associações e municipais”, conclui a médica veterinária.

Contactos úteis para quem quer adotar:
– Pravi – www.pravi.org
– Rafeiros SOS – https://www.facebook.com/RafeirosSOS/
– Casa dos Animais de Lisboa – https://www.facebook.com/CasaDosAnimaisLisboa/
– Associação Entregatos: www.assoc-entregatos. blogspot.com
– Associação São Francisco de Assis: www.sfacascais.pt
– Associação Vira Latas: www.associacaoviralatas.org
– SOS Animais Madeira – https://www.facebook.com/groups/sos.animais.madeira/
– Associação Amigos dos Animais de Felgueiras: www.aaaf.org.pt
– Associação Midas: www.associacaomidas.org
– Bichanos do Porto: www.bichanosdoporto.blogspot.com
– Centro de Recolha Oficial de Animais de Companhia de Ponta Delgada – http://www.cm-pontadelgada.pt/pages/446

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