Dermatite atópica

Dermatite atópica

Cerca de 20% da população portuguesa sofre desta doença

A dermatite atópica é uma patologia crónica que afeta a pele e a torna mais vulnerável às agressões externas. Embora tenha uma maior prevalência em crianças, também pode manifestar-se em adultos, especialmente se não for devidamente tratada.

Também conhecida por eczema atópico, a dermatite atópica é uma doença não contagiosa que afeta a pele do rosto e do corpo, com manifestações geralmente evidentes, como pele vermelha, seca e irritada, descamação e ainda prurido intenso, nas zonas atingidas. De acordo com o dermatologista pediátrico Vasco Sousa Coutinho “a dermite atópica é a manifestação na pele da doença atópica. Ao contrário do que acontece com as restantes pessoas, as que sofrem desta doença têm uma reação exagerada a estímulos externos, nomeadamente, ao frio, a pós, a pólens, entre outros. E isso acontece devido a alterações da imunidade de causa genética”.

Incidência e manifestações
Estima-se que a dermatite atópica afeta cerca de 10% da população mundial, contudo, em Portugal a sua incidência sobe para os 20%, sendo evidente o aumento dos casos nas últimas décadas.
Apesar de poder manifestar-se em qualquer fase, é na infância que é mais comum. “Em cerca de 90% dos casos surge antes dos 5 anos, com a grande maioria destes a começar antes dos 2 anos e muitos logo a partir dos 3 meses de idade”, salienta Vasco Sousa Coutinho.
As zonas do corpo atingidas pela dermatite atópica não são iguais para todas as pessoas e variam consoante a idade. Segundo o especialista em dermatologia pediátrica, “nos lactentes atinge sobretudo a face e as superfícies externas dos membros. Já a partir dos 2 anos, é normal afetar mais as pregas-dobra dos cotovelos, atrás dos joelhos e do pescoço. No adulto, é mais frequente nas mãos e na face”.
Não havendo qualquer prevalência acentuada num dos sexos, é sabido que esta patologia pode afetar qualquer pessoa, contudo, estudos mais recentes mostram que existe uma componente hereditária bastante forte, havendo uma probabilidade aumentada de a desenvolver em casos de antecedentes familiares que vai dos 50% aos 80% se os dois pais forem atópicos.
De acordo com Vasco Sousa Coutinho “A gravidade das manifestações é potenciada pelos estímulos externos, podendo estas surgir em crises, com agravamentos e intervalos alternados”. Pode mesmo dizer-se que quem sofre desta doença crónica passa por fases distintas em que a dermatite atópica está ativa – durante as crises – e quando está inativa – durante os intervalos.
Apesar de poder afetar regiões diferentes de pessoa para pessoa, mas também consoante a idade, existem períodos de agravamento que são comuns a todos os doentes. “Em geral, os sintomas pioram no inverno, principalmente quando o tempo está frio e seco. Isso acontece porque a pele seca com a falta de humidade ambiente, situação que ainda é agravada pelos aquecimentos e, por outro lado, a roupa de inverno é mais áspera, como tal, agride mais a pele”, explica o dermatologista pediátrico.

Diagnosticar a dermatite atópica
É importante diagnosticar a dermatite atópica porque só assim será possível aplicar o tratamento necessário para controlar os sintomas durante as crises. Pelo facto de não existir uma análise que permita o diagnóstico, este é feito em virtude da análise das características das lesões por um dermatologista que tem ainda em conta se existe histórico de alergias na família. Por ser uma doença genética, não há nada que possa ser feita no sentido de a prevenir.

Tratamento
“Como outras doenças com causa genética, a dermatite atópica não tem cura, mas tem tratamento”, ressalva Vasco Sousa Coutinho. Nesse sentido, a preocupação deve ser, por um lado, atenuar os sintomas e, por outro, evitar agredir a pele mesmo fora das crises o que, de acordo com o especialista em dermatologia pediátrica passa por “hidratá-la bem, tomar banhos rápidos e com água pouco quente, usar um óleo de banho e aplicar um creme hidratante depois do banho. Quanto à roupa, a que está em contacto direto com a pele, convém ser de algodão e de cor clara”.
Nas crises, para além dos cuidados que devem ser tidos e que são entendidos como preventivos, torna-se fundamental recorrer a outro tipo de abordagem. “Durante as crises, o tratamento das lesões da pele deve ser feito com um corticoide tópico e, se as crises são frequentes, usam-se outros imunomodeladores para evitar os efeitos secundários dos corticoides. O prurido controla-se com anti-histamínicos orais, em geral, em doses mais elevadas do que nas alergias respiratórias. Para casos mais graves, pode ser necessária terapêutica sistémica que inclui corticoides orais, outros imunossupressores, radiação ultravioleta, entre outros”, conclui o especialista.

Quem tem dermatite atópica deve evitar:
– O contacto com substâncias que irritem a pele
– O uso de roupa áspera
– Banhos demorados e com água demasiado quente
– Sabonetes e outros produtos que retirem a oleosidade natural da pele, em exagero
– Unhas compridas

Sinais de alerta:
– Pele seca e avermelhada
– Pele propensa a descamação e aparecimento de “rachas”
– Comichão intensa

Importante!
A dermatite atópica é muito mais do que um problema dermatológico. Embora a consequência mais evidente sejam as lesões na pele, ela pode ser causa de problemas de foro psicológico que vão manifestar-se, principalmente, na idade adulta. Não são raras as situações em que os doentes evitam vestir roupa que deixe as lesões expostas e cheguem a evitar estar com outras pessoas nas fases em que a doença está ativa. Além disso, sentem stresse, por vezes, falta de autoestima e, devido ao prurido, chegam a ter problemas de sono.

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