Declare guerra à flacidez!

Declare guerra à flacidez!

Por muitos cuidados que tenhamos com a pele do corpo e do rosto, há sempre uma altura em que ela começa a dar sinais de estar a envelhecer e a perder elasticidade. Mas sabia que é possível atrasar este processo?

Dermatologista Clínica de Dermatologia do Areeiro

Quando os anos começam a pesar tanto quanto a ação da gravidade, toda a nossa pele começa a sentir os seus efeitos, com especial incidência na face. É nessa altura que a pele perde elasticidade e, consequentemente, fica flácida. Ainda que para alguns este seja o percurso natural da vida, para outros é um verdadeiro desconforto. Afinal, não é agradável ver o excesso de pele a aparecer no pescoço, as bochechas a descair e as sobrancelhas com ar de cara triste. Depois, é uma lembrança constante de que estamos a envelhecer e quem é que quer que isso aconteça?

Por que razão sofremos de flacidez?
A pele muda com a idade e com todas as agressões que lhe provocamos direta e indiretamente. À medida que envelhecemos, a estrutura da pele modifica-se: fica mais fina, com menos colagénio – a substância que dá densidade à pele – e menos elástica, pelo que se deforma e não retoma a forma inicial. Por outro lado, há situações em que ocorrem grandes alterações de peso, como uma gravidez ou uma situação de emagrecimento súbito, e provocam grande tensão na pele, contribuindo para um aumento da flacidez. A juntar a tudo isto, não podemos esquecer as alterações hormonais que ocorrem em resultado da menopausa e provocam uma evidente redução de estrogénios. Estes fatores, associados ao estilo de vida sedentário, são os principais culpados da falta de tonicidade da pele e, naturalmente, dos evidentes sinais de flacidez e envelhecimento que a nossa pele evidencia. Se é verdade que algumas pessoas lidam da melhor forma com o envelhecimento e com tudo o que ele implica, também é verdade que para muitas outras pessoas, todo este processo é difícil. E é por essa razão que desde há muito tempo que a medicina e a estética têm desenvolvido soluções que pretendem ajudar a  reduzir os danos da idade.

Tratamentos não-invasivos
Hoje em dia, para além dos tratamentos mais invasivos, temos tecnologia não invasiva que também torna possível diminuir a flacidez sem recorrer a cirurgias. Falamos de tratamentos em que é utilizada energia de radiofrequência através dos tecidos para aumentar a produção de colagénio e fazer a contração dos tecidos. Na prática, equipamentos médicos sofisticados emitem alta energia para elevar a temperatura das camadas internas da pele de forma a provocar densificação da derme e diminuição da gordura localizada.
São utilizados na face para diminuir a flacidez em redor da boca, para melhorar as rugas à volta dos olhos, para elevar a “cauda” das sobrancelhas e para apagar as rugas frontais. Mas a sua utilização não se resume à pele do rosto, já que também podem ser utilizados a nível corporal para “derreter” pequenos focos de gordura no abdómen (no pós-parto, por exemplo), no pescoço – o comum duplo queixo -, ao redor dos joelhos ou, simplesmente, para eliminar a flacidez nos braços e à volta do umbigo. Os tratamentos de radiofrequência são de fácil execução, não usam agulhas, não causam dor desde que sejam respeitados os parâmetros da máquina e podem ser realizados em todos os tipos de pele, mesmo nas mais pigmentadas, durante todo o ano. Estes tratamentos, ao contrário de outros mais invasivos e agressivos, não deixam quaisquer marcas na pele.
Consoante os equipamentos, pode haver um sistema de frio acoplado para tornar o tratamento mais confortável, pode fazer vácuo no aplicador e fazer massagem ou ter radiação infravermelha ou pulsos magnéticos. No entanto, independentemente do que estiver acoplado, o que determina a eficácia é a potência do equipamento, o calor gerado e o tempo de duração do tratamento.

Passo a passo do tratamento
Cada tratamento consiste no aquecimento localizado da área de pele a tratar por uma peça de mão (um aplicador), sendo necessário para a passagem perfeita da energia a aplicação prévia de um gel ou de um óleo no local a tratar. O aplicador desliza pela pele em círculos e curvas, de modo a elevar a temperatura subcutânea. O objetivo é alcançar temperaturas de 40-42ºC no máximo. Cada sessão demora, em média, 20 minutos para áreas pequenas e 60 minutos para áreas grandes, como a face. Um tratamento completo necessita, em média, de 6 sessões com intervalos de 1 a 2 semanas, consoante os equipamentos.
É o calor da energia de radiofrequência que é responsável pelo efeito de contração e densificação da pele. Após este tratamento, o paciente pode continuar com o ritmo de vida habitual, já que não deixa quaisquer marcas. Apesar de os resultados serem duradouros, é importante ter em conta que o envelhecimento não para e, por essa razão, é recomendável fazer manutenção (1 sessão por mês).
Este tratamento aplicado na face proporciona resultados excelentes, já que aumenta o turgor da pele. O calor do tratamento dá esse efeito imediato. Claro que a produção de colagénio demora mais tempo e a contração definitiva também, mas quando há uma situação “emergência festa” a radiofrequência é o melhor tratamento.

Quando é que a radiofrequência é desaconselhada?
Apesar de todos os seus benefícios, a radiofrequência não deve ser feita em qualquer circunstância. Sempre que estamos doentes, com infeções, febre, feridas no local do tratamento, quando temos doenças inflamatórias na face (acne e rosácea, por exemplo) e em situações de gravidez. Por outro lado, é importante ter em conta que como a radiação de radiofrequência aquece o metal, não se pode passar o aplicador em locais de próteses (anca ou dentes) e implantes metálicos (DIU).
Para otimizar o tratamento há três coisas fundamentais: hidratação (beber muita água), exercício físico (muito importante para tonificar os músculos) e uma boa alimentação, claro!

Escolha bem o seu tratamento de radiofrequência
Antes de escolher e decidir, é bom lembrar-se que os tratamentos de radiofrequência não são todos iguais. Tal como um carro de 60 cavalos não é igual a um carro de 250 cavalos (e ambos são carros), os equipamentos de radiofrequência têm potências e eficácias muito diferentes. É fundamental um bom equipamento médico de radiofrequência, uma escolha precisa dos parâmetros da máquina adaptados à situação clínica e, claro, uma boa técnica de execução para evitar complicações desnecessárias. Apesar de este não ser um tratamento invasivo, escolha um bom profissional, que esteja bem ciente de todo o procedimento e trate uma a duas zonas de cada vez. Foque-se no que é mais importante e confirme que o tratamento é executado durante o tempo necessário para ter eficácia. Faça o número de sessões indicado pelo seu médico dermatologista e prepare-se para apreciar os resultados!

 

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