Cancro do Pulmão foi o que mais matou em 2018

Cancro do Pulmão foi o que mais matou em 2018

De acordo com os especialistas, entre 60% e 70% dos casos de Cancro do Pulmão, são detetados numa fase avançada da doença. A nível mundial, em 2018, este foi o cancro que registou mais novos casos e foi também aquele que mais matou.

Por ser uma doença que, numa fase inicial, progride de forma assintomática, o cancro do pulmão nem sempre é detetado precocemente. Como consequência, é o tumor que regista maior número de mortes em todo o mundo. Para Fernando Barata, Presidente do Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão, há uma relação direta entre o diagnóstico tardio e a alta mortalidade, já que “em cerca de 60% dos doentes, o diagnóstico faz-se numa fase avançada, condicionando as opções terapêuticas mais eficazes, o que leva a uma consequente redução da sobrevivência”.

A verdade é que, diagnosticado numa fase inicial, todo o panorama se altera. “Quando o tumor é diagnosticado numa fase precoce, a cirurgia com intenção curativa é a terapêutica de eleição. Para esses estadios iniciais, a sobrevivência aos 5 anos ultrapassa os 50%, versus o diagnóstico já em fase avançada, com sobrevivências aos 5 anos inferiores a 5%”, salienta o especialista.

Por ter um papel tão importante, o diagnóstico deve ser feito numa fase precoce mas, para isso, é essencial estar atento aos sintomas, mesmo que estes pareçam insignificantes. Tosse, expetoração e falta de ar, são os sintomais mais comuns, no entanto, por poderem ser causados por muitas outras patologias, são frequentemente ignorados. Por isso, para Fernando Barata, convém perceber, pelo menos, se o sintoma é passageiro ou persistente e deixa o alerta: “Se algum destes sintomas perdura ao longo do tempo, é importante que o doente vá ao seu médico de medicina geral e familiar para poder certificar-se se existe ou não uma ligação a uma patologia mais grave, como é o caso do cancro do pulmão”.

Mais informação e terapêuticas mais eficazes
Apesar de os diagnósticos continuarem a ser feitos numa fase tardia, a população em geral está mais informada sobre o tema e assistimos também a um reforço da investigação sobre esta doença, sobretudo nas suas formas mais graves. De acordo com Fernando Barata, “os últimos anos foram de revolução em relação à investigação sobre o cancro do pulmão. A imunoterapia e a terapia-alvo foram passos importantíssimos. Por outro lado, a quantidade de novos fármacos de elevada eficácia e baixa toxicidade constitui uma verdadeira revolução”.

Mas, é preciso fazer mais. A implementação de um programa de rastreio para o cancro do pulmão, tal como já acontece com outros tumores, é a melhor forma de conseguir um diagnóstico numa fase inicial e, consequentemente, uma intervenção terapêutica mais precoce, com redução direta na mortalidade por este flagelo. Um caminho que, para Fernando Barata, fará parte de um futuro não muito distante: “Nos próximos anos temos de definir quem rastrear, qual o melhor método de rastreio e criar uma estrutura para implementar o rastreio a nível nacional.” Enquanto esta estratégia não é implementada, o especialista aproveita o mês de sensibilização para a doença para reforçar a mensagem que considera mais importante e que passa por reduzir os fatores de risco “nomeadamente, o tabaco em todas as suas formas, em que se inclui o tabaco aquecido e o eletrónico. É importante que as pessoas que fumam deixem de o fazer e, por outro lado, aqueles que nunca o fizeram se mantenham assim”, reforça.

 

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