A evolução do preservativo

A evolução do preservativo

Consegue imaginar que os preservativos que hoje encontra à venda em farmácias e supermercados foram, em tempos, feitos a partir de sacos de linho e de intestinos de cordeiro e de peixe? A verdade é que os preservativos atuais nada têm a ver com os originais, mas a sua importância no controlo da natalidade e da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis é imensurável.

A história dos preservativos iniciou-se por volta de 1300 a.C. mas, de lá para cá, sofreram tantas alterações que só nos ocorre dizer que ainda bem que assim foi. Tem dúvidas? Sabia, por exemplo, que os romanos usavam envoltórios feitos de intestino de cordeiro e de bexigas de cabra com a finalidade de se protegerem das doenças sexualmente transmissíveis? Ou que os termos «camisa de vénus» e «doenças venéreas» se generalizaram entre os romanos porque acreditavam que as doenças sexualmente transmissíveis eram castigos de Vénus, a deusa do amor?
Pois, bem nos parecia. Mas vamos adiantar-nos uns anos. Foi preciso chegarmos a 1564, para o anatomista italiano Gabriel Faloopius inventar algo semelhante ao que hoje consideramos um preservativo. “Era um saco de linho para colocar no pénis de modo a proteger os seus doentes das doenças sexualmente transmissíveis e também evitar a gravidez. O seu sucesso foi enorme e levou a que o seu uso se popularizasse”, começa por dizer o andrologista e urologista da Clínica de Santo António, Dr. Pepe Cardoso, para acrescentar de seguida: “Entretanto, já em 1685, em Inglaterra, o envoltório passa a denominar-se de condom e, nessa altura, passa a ser feito com intestino de cordeiro e lubrificado com óleo de amêndoas. Em 1700, passaram também a ser feitos com intestinos de peixe de modo a serem mais finos e menos incómodos”. Dá para imaginar isto? Finalmente, em 1843, a Hancock e a Goodyear começaram a fabricar preservativos com borracha e, só a partir de 1890, começam a ser fabricados com latex tornando-os mais finos e confortáveis.

Diferentes tipos de preservativo
Atualmente, o preservativo está longe de ser o único meio contracetivo ao nosso dispor, contudo, em Portugal continua a ser o segundo método de eleição (23,4%), só superado pela pílula que é utilizada por 65,9% das mulheres.
De acordo com o Dr. Pepe Cardoso “o preservativo, sendo um contracetivo de barreira, é um método eficaz na redução da probabilidade de ocorrência de uma gravidez, apresentando uma taxa de gravidez de 2%/ano, desde que usado corretamente. Além disso, oferece uma importante proteção acrescida, nomeadamente nas relações ocasionais, na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, como o VIH/SIDA, e a exposição ao vírus do papiloma humano”.
Embora a maior parte das marcas comercialize preservativos de latex, também existem opções de poliuretano e polisopreno, assim como preservativos com espermicida, com retardantes, texturados, perfumados, sabores, entre outros. Basicamente, há-os para todos os gostos!
O especialista em urologia e andrologia salienta ainda que “não existem efeitos colaterais significativos, para além de uma possível alergia local ao latex que se resolve rápida e espontaneamente, e que pode ser evitada com o uso de preservativos fabricados com outro material”. Quanto à diminuição da sensibilidade do pénis e uma eventual diminuição do prazer aquando do seu uso, ousamos dizer que é um preço justo a pagar pela proteção que confere.
Ainda assim, o Dr. Pepe Cardoso deixa um alerta: “como os preservativos são de venda livre e podem ser adquiridos para além das farmácias, em supermercados e até em máquinas dispensadoras, deve-se ter o cuidado de verificar se a embalagem não foi violada e confirmar o seu prazo de validade”.

A opinião do Dr. Pepe Cardoso sobre o uso do preservativo
“A distribuição de preservativos nas escolas e nas unidades de saúde já é uma realidade e aumentou de forma consistente com o Programa Nacional para a Infeção VIH/SIDA da Direção Geral da Saúde e o apoio de associações comunitárias. Contudo, é importante que esta distribuição não seja indiscriminada, mas sim acompanhada por Gabinetes de Informação e de Apoio ao Aluno, em articulação com as unidades de saúde e eventual encaminhamento para consultas de planeamento familiar. Ainda falta desmistificar o uso do preservativo uma vez que existem barreiras culturais e religiosas, nomeadamente, quando a Igreja Católica Romana na encíclica Casti connubii afirma a sua oposição a todos os métodos contracetivos, posição que atualmente ainda mantém, e o uso do contracetivo para prevenir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis não é abordado e simplesmente ignorado pela doutrina católica. O uso do preservativo, sendo um método contracetivo de barreira, para além de evitar uma gravidez não desejada e diminuir a taxa de gravidez nas adolescentes, é um método eficaz na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, nomeadamente na infeção VIH/SIDA nos homens e mulheres sexualmente ativos, com especial incidência nos adolescentes e jovens, nos profissionais do sexo, nos reclusos e nos utilizadores de drogas injetáveis, devendo aliar-se a um aumento da adoção de comportamentos preventivos de modo a reduzir o risco e expansão destas doenças”.

Pílula vs Preservativo
A partir de 1960, com a descoberta e a comercialização da pílula anticoncecional, o uso do preservativo diminuiu drasticamente. Contudo, a partir de 1990 o seu uso voltou a generalizar-se com o aparecimento da epidemia VIH/SIDA.

 

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